Um gajo já não pode ter amantes à vontade, com calma, no recesso de uma pensão no Bom Sucesso, praticar isto e aquilo, consentir em ser adulto, sem que esteja sujeito a isto. Anos depois, lá vem o «Eu, Jessica Cutler». Essa é que é essa.
Tão bom como a música, o diálogo entre Bowie e Crosby. Bowie, que em The Man Who Fell to Earth, fez dele próprio, faz, aqui, de The Man Who Fell To Earth. Este é uma espécie de Tratado de Tordesilhas da cultura pop, entre o novo e o velho. Ou Tratado de Ialta, com Bowie a fazer de Churchill. Ambos, meio americanos. Há aqui um toque corny, um toque de fajuto. Mas isso é nada por comparação com o alienígena que canta com a voz de Deus, se ela existe, e com a afinação de Caetano Veloso. Enfim, o Natal como o Natal deve ser: entre o milagreiro e o miraculoso.
O que as pessoas pensam de Marques Mendes: diagnóstico diferencial
Bastou que Rui Rio não desse a tolerância de ponto na Câmara Municipal do Porto para que certas pessoas começassem a vê-lo, com vantagem, como provável sucessor de Marques Mendes. O que mostra bem a medida em que certas pessoas têm Marques Mendes. É preciso pouco para surgir como seu sucessor. Muito pouco. A roçar o involuntário.
O número a partir do qual o próximo parecer do constitucionalista eminente vale exactamente zero, não empresta qualquer peso à opinião que professa, de acordo com ambas as leis da utilidade marginal decrescente e desvalorização cambial.
Lévi-Strauss, Pinto Monteiro. Evans-Pritchards, Cunha Rodrigues. Turney-High, Souto-Moura. Porque é que os antropólogos e os Procuradores Gerais da República têm sempre dois nomes? Cheira a esturro.
Um homem não deveria ter que esperar pelos trinta e três para saber o que o seu nome quer dizer em russo. Há certas coisas que fazem os diminutivos parecer uma brincadeira de crianças.
Os Lambchop deram um concerto enorme. O contrário de kleine. Talvez bolshoi concerto, se assim me posso exprimir. Kurt Wagner mostrou o que estar fodido com o mundo (ou com a sra. Wagner, pareceu-me) pode fazer pela felicidade da audiência da Aula Magna. Caterpillar, The One. Breu, luz. A única luz, e só no encore. O resto foram imagens de aves de rapina, animais nocturnos, fotogramas do Nosferatu, cegonhas a voar em contraluz em câmara lenta. Óptimo. Aliás, as bandas deviam vir com esse disclaimer: o sr. tal de tal está chateado com o mundo - will give you hell and high water, plus a fucking concert; ou - none of the above. Na verdade, a exacta medida de fodido com o mundo para tornar a seguinte letra sua, vestindo-a primeiro os braços depois as pernas.
de «Would Have Waited Here All Day», You’re dripping wet from a mid day shower Soon you’ll be drying off your dick I want to be romantic about it But there’s really not much more to it I slip into the clothes that you bought me And I pull on my new boots I wait for you to call On your way home from work
Porque é que o puto do A Lula e a Baleia não cantava esta?
8.12.06
So ya Thought ya Might like to Go to the show. To feel that warm thrill of confusion, That space cadet glow. I've got some bad news for you sunshine, Pink isn't well, he stayed back at the hotel And they sent us along as a surrogate band We're gonna find out where you folks really stand.
Are there any queers in the theater tonight? Get them up against the wall! There's one in the spotlight, he don't look right to me, Get him up against the wall! That one looks Jewish! And that one's a coon! Who let all of this riff-raff into the room? There's one smoking a joint, And another with spots! If I had my way, I'd have all of you shot!
Carmen Posadas diz hoje que já teve a sua vingança com a literatura. «A literatura permite a vingança. Já me vinguei», lê-se na página 33. Na página seguinte, a 34, o DN dá notícia da peça «A Nossa Quinta»: «Uma abordaagem a George Orwell que é também uma terapia».
Se ela não perceber outra vez pode vir aqui e fazer-me um bico, assim mesmo, como dizem os que lavam os dentes com espuma do mar da Zambujeira depois de cabrioladas no frio e frágil revolvido fraque.